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CAMPANHA GLOBAL PELA LIBERDADE DE EXPRESSÃO
O que pode ser mantido como secreto
O que pode ser mantido como secreto

O que pode ser mantido como secreto

Existem informações que ainda podem ser mantidas como secretas?

Certos tipos de informação são excluídos do princípio de acesso público - ou máxima abertura - que deveria guiar a lei de acesso à informação.

Exceções à máxima abertura:

O princípio que exceções ao acesso público devem ser restritivamente definidas implica que as leis de acesso à informação devem claramente definir:

- os tipos de informação que podem se tornar uma exceção e;

- as circunstâncias nas quais pode ser feita uma exceção.

Exceções para publicação:

Esta é uma lista dos tipos de informação que podem ser excluídos do acesso público em certas circunstâncias. É importante ressaltar que isso não significa necessariamente que todas as informações destes tipos serão mantidas em sigilo - significa apenas que podem ser mantidas em segredo em algumas situações:

Aplicação da lei

A investigação, prevenção ou identificação de crimes seriam impossíveis se a polícia tivesse que tornar as informações sobre as investigações disponíveis enquanto elas ainda estejam em curso. Da mesma forma, seria muito mais difícil para a política prender os criminosos se todas as informações sobre sua operação estivesse publicamente disponível.

Alguns métodos de detectar e prevenir crimes precisam ser secretos para serem efetivos (por exemplo, técnicas de vigilância). Mas é preciso ter cautela para não transformar as exclusões tão amplas a ponto de tornar a informação sobre processos legais sempre impublicável.

A chave está em que investigações em curso não devem ser ameaçadas, a segurança pública/individual não podem ser colocadas em ricos ou nenhum outro dano pode ser causado pela divulgação da informação requerida.

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Privacidade pessoal

Órgãos públicos (e alguns privados) possuem informações sobre indivíduos. Eles precisam dessas informações para prover os serviços necessários, como saúde, educação e todos os outros tipos de serviços sociais.

Mas não há razão para que toda essa informação se torne disponível a qualquer outro além daquele que seja titular da informação - o que configuraria invasão de privacidade.

Não há dúvidas que aquele que é objeto da informação deva sempre ser capaz de conquistar acesso a ela. Essa é uma maneira importante para garantir que a confidencialidade não seja abusiva.

Também não há dúvidas que nem toda informação pessoal seja privada. Diferentes regras serão aplicadas, em particular, em casos em que a informação pessoal seja relacionada ao trabalho de oficiais públicos.

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Segredo comercial

Este é o mais complexo de todos.

Suponha, por exemplo, que uma empresa esteja desenvolvendo um novo produto. Seria legítimo pensar que ela não deva ser obrigada a divulgar detalhes que permitam que seu produto seja copiado pelas concorrentes.

Também seria legítimo que as empresas não tivessem que divulgar informações que pudessem afetar sua competitividade no mercado.

A questão se torna um problema por duas razões:

- A primeira é que as empresas utilizam o segredo comercial como uma forma de controlar e restringir a distribuição dos benefícios sociais de seus produtos. Um claro exemplo são as empresas farmacêuticas, que obtém enorme lucro da venda de medicamentos patenteados enquanto que a reprodução barateada dos medicamentos genéricos seria de maior benefício social.

- O segundo problema com o segredo comercial é que ele por vezes permite que as empresas operem sem serem cobradas para prestação de conta social. Uma empresa pode alegar que está fechando suas fábricas, com a perda de empregos, porque deixou de ser lucrativa.

Os trabalhadores e a comunidade, no entanto, não deveriam ter direito de revisar as contas da empresa para verificar se a alegação de fato é verdadeira?

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Segurança pública ou individual

Essa é uma exceção que está claramente prevista no direito internacional.

No Artigo 19 do Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos é dito que a "ordem pública" é o piso aceitável que limita a liberdade de expressão (que, como vimos, engloba a liberdade de informação).

É facilmente possível imaginar casos em que a segurança individual possa ser ameaçada.

Digamos que, por exemplo, uma pessoa tenha sido colocada no programa de proteção de testemunhas. É certo que não seja desejável que as informações sobre seu paradeiro nem sobre sua identidade sejam divulgadas.

Segurança pública é um conceito mais complexo. Ele pode se referir ao risco de um pânico público, por exemplo, de ameaça de saúde pública. Todavia, é mais comum em casos de saúde pública que haja necessidade de maior abertura e volume de informação, e não o contrario.

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Discussões confidenciais no governo

A idéia de permitir exceções neste caso não é para manter as decisões do governo secretas, mas sim para proteger a integridade do processo de tomada de decisão.

Uma das preocupações é que os oficiais não devam ser desencorajados a terem discussões francas e livres sobre assuntos de política pública. Argumenta-se que os formuladores de políticas públicas seriam cautelosos e conservadores se temessem que cada sugestão que fizessem durante as discussões pudesse ser, mais tarde, publicada (e até mesmo ridicularizada).

A outra preocupação central é que os interesses públicos possam ser colocados em risco por uma decisão divulgada prematuramente.

Mais uma vez, há sim pontos válidos, mas o maior perigo está no fato de que o processo de tomada de decisão do governo é muito secreto, e não muito público.

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Informações legalmente privilegiadas

Em todos os sistemas legais algumas informações são privilegiadas - isto é, elas não podem ser reveladas com exceção àqueles que têm direito a tal informação dentro das regras e práticas do sistema.

Esses casos incluem, mais notadamente, informações trocadas entre advogado e cliente.

Há também limites durante os procedimentos legais para informações disponibilizadas que possam influenciar a decisão: em muitos sistemas isso é conhecido como regra do sub judice. Há limite sobre quanto uma pessoa pode divulgar informações ou comentar sobre procedimentos legais, tais como julgamentos, até que estejam finalizados.

O privilégio legal - especialmente a regra do sub judice - costuma ser usada de forma abusiva para limitar o comentário público, incluindo críticas do judiciário. No entanto, o direito de todas as pessoas a um julgamento justo significa que o privilégio legal, quando corretamente interpretado, tem um importante papel no sistema judicial.

Tal informação deveria, certamente, ser excluída da máxima abertura.

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Interesses econômicos públicos

Existem certos tipos de informações econômicas públicas que poderiam causar danos se fossem divulgadas num momento errado.

Essas informações devem ser protegidas a fim de permitir que o governo possa gerenciar a economia. Por exemplo, informações em primeira mão sobre mudanças nas taxas de juros ou de câmbio poderia ser usadas por especuladores para causar danos à moeda. Para esses casos limitados seria razoável que se limitasse ou restringisse o acesso público a tais informações.

Além disso, aqueles órgãos públicos comerciais que são englobados pela lei de acesso à informação deveriam ter a mesma proteção que suas contrapartes privadas contra a divulgação de informação que pudesse comprometer sua competitividade.

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Segurança nacional

Esta é, sem dúvidas, a área mais controversa relacionada à divulgação de informação.

O ARTICLE 19 acredita que o tema da segurança nacional e da liberdade de informação são tão importante que em 1995 organizou um encontro internacional com especialistas, em conjunto com o Centro de Estudos Aplicados da University of the Witwatersrand.

Esses especialistas produziram os Princípios de Johannesburg sobre liberdade de informação e segurança nacional

Os princípios de Johannesburg foram endossados pelo Relator Especial das Nações Unidas para Liberdade de Expressão - embora, infelizmente, isso não signifique necessariamente que sejam amplamente respeitados na prática.

Divulgar ou reter a informação

Como decidimos quais informações devam ser divulgadas ou retidas?

A abordagem que tem sido defendida internacionalmente por grupos de ativistas de campanhas pelo acesso à informação é um teste de três partes, que deve ser aplicado em todos os casos em que haja dúvidas se certa informação deva ou não ser divulgada:

1. A razão para manter a informação secreta deve ser a proteção de um número limitado de restrições legítimas que são expostas na lei de acesso à informação. Elas devem corresponder aos vários fundamentos para formular uma das exceções que acabamos de discutir - aplicação da lei, segredo comercial, segurança nacional e assim por diante.

2. Se a informação fosse divulgada, isto provavelmente causaria dano substancial ao interesse protegido pela lei.

3. Mesmo se a informação se referir a uma dessas restrições legítimas e puder ser vista como causadora de um dano substancial, não poderia, no entanto, ser de interesse público divulgá-la?

É difícil oferecer respostas do tipo certo ou errado a essas questões em abstrato.

Em cada caso as decisões vão depender dos fatos detalhados e do contexto particular.

A vantagem do teste de três etapas é prover um meio consistente para fazer este difícil julgamento e, ao mesmo tempo, fazer do interesse público o topo da prioridade.